domingo, 20 de abril de 2014

Uma imagem para pensar nossas cidades

Eu sou um brasileiro, nascido e criado na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Como todos os meus contemporâneos e conterrâneos, cresci sonhando em ter um carro e uma casa própria, isso resolveria meus problemas pessoais e me faria feliz.

Meu pai morreu quando eu ainda era adolescente, com o pouco de herança que ele deixou para mim eu comprei um carro.


O carro se foi como tantos outros que já tive.

Onde eu vivia era difícil conceber a vida sem carro, seja por falta de infraestrutura, seja porque era a meta de todo jovem, ter o carro para conquistar a independência e o "sucesso".

O tempo passou e eu mudei, conheci muitos lugares, aprendi muitas coisas novas e percebi que já não precisava tanto do carro ou de uma casa própria para ser feliz.
Meus valores realmente mudaram.

No lugar que cresci ainda é difícil viver sem carro, e todos que moram lá continuam lutando para ter o seu, cada vez melhor, mais caro, mais potente, mais poderoso.
Até quando eles vão continuar repetindo o mesmo jogo? Porque não lutam para melhorar a vida de todos, em vez de fingir que estão melhorando apenas as suas?
Por que não lutam por uma cidade melhor para todos em vez de lutar para ter um carro mais novo?

Tem muita gente que acha que eu quero que todos larguem seus carros e passem a andar de bicicleta. Quem acha isso não entendeu nada do que eu disse!
Mas eu li e reli o que eu escrevi e acho que me fiz claro, quem não entendeu não quis ler direito.Está tudo aqui.

Hoje eu vim aqui não para responder, mas para perguntar. Para deixar perguntas no ar.

As principais perguntas que quero deixar no ar estão nesta imagem:


O desenho é tosco, mas o conteúdo não. É um pequeno esquema de nossas cidades padrão. Um cruzamento, do modelo mais comum que temos.
1 cruzamento, 2 faixas de pedestres.

A partir da imagem - e do conceito que o pedestre "legal" é aquele que segue sempre as leis de trânsito, porque elas "são para todos" - vou deixar as seguintes perguntas no ar:

  • A criança que desce do ônibus e vai para a escola precisa ir até o cruzamento e voltar?
  • Porque a faixa de pedestres não está ali onde ela precisa e está apenas no cruzamento?
  • Se ela atravessa direto do ponto de ônibus à escola ela está errada, não é? (Já ouvi até dizerem que é "SUICÍDIO", ou seja, perfeitamente "justificável" se for atropelada)
  • O que uma pessoa faz para ir do ponto A ao ponto C "dentro da lei"?
  • O que uma pessoa faz para ir do ponto C ao ponto D "dentro da lei"?
  • Se uma pessoa atravessa do ponto A ao C ou do C ao D e é atropelada, imediatamente vamos pensar "ah, mas ela não estava na faixa de pedestres", não é?
  • ...
  • ...
  • Mas a principal pergunta é: Para quem (ou o que) esta cidade foi feita?

Até o próximo...

Um comentário:

  1. Sempre fico pensando nessas faixas. Às vezes, pra ir do ponto C ao D "dentro da lei", a pessoa precisaria andar até lá na outra esquina, fora da imagem, pra encontrar uma faixa de pedestres e, então, voltar.
    Trabalho no centro do RJ e aqui tem vários lugares que são bem assim.

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