quinta-feira, 21 de julho de 2016

Bicicleta elétrica - vale à pena comprar?

Bem, este blog não se propõe a falar sobre elas, mas é comum receber perguntas de leitores sobre as bicicletas elétricas.

A todos eu sempre oriento sobre a legislação vigente e alerto sobre vendedores e empresas de má fé que se aproveitam da falta de informação dos usuários e vendem gato por lebre.

Portanto, depois de responder mais uma vez a um leitor sobre o tema, resolvi replicar aqui algumas de minhas minhas respostas e espero que ajude a quem pensa em adquirir uma bicicleta elétrica.

Então eu apenas compilo - de forma relativamente organizada, retirando as redundâncias - algumas de minhas respostas mais relevantes. Ao final faço algumas considerações e coloco um link para a resolução do CONTRAN que define e regulamenta estas e-bikes. É fundamental conhecê-la antes de adquirir uma!





Eu vou investir em uma Bike dobrável Elétrica. Achei essa e gostaria da sua opinião se tal marca é boa. (omiti a marca)

Olá XXX,

[...]


O único tipo de bicicleta elétrica permitida e equiparada às bicicletas (e não a ciclomotores e motos), são as que NÃO TEM acelerador, funcionam com pedalada assistida, chamam-se PEDELECs. Você apenas movimenta o pedal, sem fazer praticamente força, e elas andam com assistência do motor. Se passar de 25Km/h o motor é automaticamente desligado e você movimenta a bicicleta apenas com a força das pernas. 

Essas são muito melhores e aderentes à nossa legislação.

[...]

Veja a resolução do CONTRAN em anexo. Essa mesma resolução determina que as aceleradas são equiparadas a ciclomotor e TEM QUE TER habilitação.


Estas e-bikes que indiquei você pode comprar pela web, tem que pesquisar, não sei exatamente onde pode encontrar, na pior das hipóteses entre em contato com o fabricante no site e eles te dizem onde encontrar.



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Agora comecei a trabalhar de bike só que justamente na ida tem mais subidas. Moro em Curitiba. Para não chegar suada, pensei numa bike com pedal assistido. Não gostaria de uma que funcione sozinha porque eu adoro pedalar. mas um motorzinho me ajudaria nas subidas. Vi um modelo dobrável da Sense. Você conhece? Acha que uma bike com pedal assistido é um absurdo? Vi comentários assim. O que você acha?

Olá XXX,

Acho muito pertinente a ideia de ter uma bicicleta com pedal assistido para ir ao trabalho. Mas vou dar meus pitacos e tecer meus comentários:


- As bicicletas com assistência elétrica não são um milagre, nem tão ecológicas como se imagina. A energia gasta para produção das bateias não é limpa e o processo consome muita energia! Para completar, aqui no Brasil, por falta de uma legislação específica associada à mais valia dos espertinhos, ainda se usa baterias de chumbo, que são ALTAMENTE tóxicas e perigosas. Em quase todo mundo elas são proibidas!


- Acho que o uso destas bicicletas com assistência elétrica válido em alguns casos, como o seu, ou pessoas com dificuldade de locomoção etc.


- Não confunda as PEDELECs (bicicletas com pedalada assistida) com as aceleradas (bicicletas com ACELERADOR), estas são equiparadas a ciclomotores. Na verdade não são bicicletas. ;-)


- Tome cuidado, pela nossa legislação as e-bikes (bicicletas com motor elétrico E ACELERADOR) são equiparadas a ciclomotor. Ou seja, você precisará usar capacete de motociclista, pneus maiores, buzina, retrovisor e tem que ter habilitação (AAC).

Fique alerta, pois vendedores de má fé não dizem isso. A pessoa compra uma e sai andando pela ciclovia achando que está tudo certo. Vejo muita gente fazendo isso pelo Rio de Janeiro, mas só conseguem porque a fiscalização (ainda) não foca nelas.

- Só há 2 marcas de PEDELECs em nosso mercado que eu indico: a RIOSOUTH e a SENSE BIKE.

- Em relação às "bicicletas elétricas", particularmente o que eu acho absurdo:

. Uso destas "bicicletas" COM ACELERADOR em ciclovias e calçadas.
. Uso de baterias de chumbo.

Particularmente não tenho nada contra as PEDELECs, embora eu não me veja como um usuário delas.


Considerações finais:

- Tenha em mente que as que possuem acelerador não são "bicicletas", são uma categoria intermediária entre bicicletas e ciclomotores, pois são muito pesadas para pedalar sem o motor e não tem a potência e característica dos ciclomotores que os permite andar com mais segurança entre os carros.

- Caso use uma PEDELEC continue se portando como uma ciclista, ocupando os mesmos espaços, não acredite que o motor lhe dará autosuficiência para andar entre os carros como uma moto.


- Por ter motor, e pelo mesmo motivo acima, tome cuidado mais que especial com os pedestres, sobretudo se precisar usar a calçada em algum momento, não se esqueça, que o pedestre SEMPRE tem prioridade sobre todos no trânsito.


[]s

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Quero comprar uma bike elétrica para, principalmente, levar e buscar meus filhos na escola. Preciso, então, de uma bike robusta e que comporte as duas cadeirinhas. Mas não conheço muito as marcas disponíveis no mercado.  Você poderia me ajudar?

Olá XXX,

Desculpe pela longa demora.


Não tenho conhecimento prático sobre bicicletas elétricas, apenas técnico.


Nossa legislação diz que as que possuem acelerador não são consideradas bicicletas, mas ciclomotores e devem seguir a legislação específica. Apesar disso há marcas desonestas que as vendem como se fossem bicicletas aproveitando a falta de informação dos usuários.

Eu não indico por exemplo as "LEV".

Outro ponto: as baterias de chumbo são altamente tóxicas e proibidas em quase todo mundo, o Brasil é o único lugar em que elas (ainda) são permitidas. Da mesma forma, algumas empresas também se apropriam desta brecha na lei e vendem bicicletas com elas. Se por um lado ainda estão dentro "da lei", eticamente não deveriam nunca vendê-las.... Enfim, fuja veementemente delas! Escolha as que tem baterias de lítio.


[...]


Um grande abraço!
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Algumas dicas finais:



  • Fuja veementemente de modelos com baterias de chumbo! Não se engane com os preços, além de muito mais pesadas, são altamente poluentes, demoram mais a carregar, descarregam mais rápido e a vida útil é bem menor. No fim aquela e-bike com a bateria de chumbo fica abandona se deteriorando e contaminando o meio ambiente!
  • Fuja também de modelos com rodas e pneus fora de padrão (aro 18 e aro 22), pois jamais encontrarás peças para elas. E para completar, nenhuma oficina de bicicleta as conserta, exatamente por serem fora de padrão...
  • Tenha em mente que a maioria dos modelos (com exceção de alguns que indiquei e outros poucos) não são bicicletas, mas ciclomotores disfarçados. Por isso costumam ser MUITO pesados a ponto de não se poder pedalar sem ajuda do motor.
  • Saiba que as baterias são muito caras, chegam a custar até 70% do preço da bicicleta. É muito comum a pessoa só saber disso depois que a bateria morre. Após saber disso a pessoa acaba largando a bicicleta/ciclomotor num canto para nunca mais usar, pois elas são tão pesadas que não servem para usar como bicicleta comum.
  • É importante saber que a maioria das oficinas de bicicleta não faz manutenção em bicicletas elétricas, sobretudo as que não são bicicletas (os ciclomotores disfarçados). Mas entenda que as oficinas e motos também não o fazem, exatamente por não serem motos. ;-) Ou seja, terás um grande problema com a manutenção delas. :-/
  • Se por acaso adquirir uma e-bike com acelerador (ou seja, um ciclomotor), por favor, não ande nas ciclovias acelerando-a e buzinando para os outros saírem da sua frente. Não faça com os outros o que não deseja que façam com você! ;-)
  • Todas as pessoas que conheço que adquiriram uma bicicleta elétrica se arrependeram depois (sim, até hoje não conheço ninguém que tenha comprado uma e ficado muito feliz com a aquisição). Por vários motivos, dentre eles destaco:
  1. "É muito pesada, quando acaba a bateria é impossível de pedalar ou mesmo subir/descer de calçadas com ela. Sem bateria ela é um estorvo!" (Modelo com acelerador de uma das marcas mais vendidas).
  2. A relação de marchas é muito estranha, parece que só foi feita mesmo para o motor, pois quando tentamos pedalar sem o auxílio do motor a bicicleta não anda de tão leve que é a relação. Que arrependimento..." (Mesmo modelo acima).
  3. "A experiência foi péssima, pois para andar na ciclovia não dá para correr e para andar na rua é muito inseguro, pois não chega nem perto da potência de uma moto; eu sei porque também tenho moto e comprei ela para economizar. Já levei uns bons sustos que me fizeram desistir de andar nela." (Modelo com acelerador).
  4. "Acabou a vida útil da bateria com pouco tempo de uso (pouco depois de acabar a garantia), quando fui comprar uma nova me assustei com o valor, quase dava para comprar outra bicicleta. É claro que não comprei e a bicicleta está parada e não sei o que fazer com ela." (Modelo com bateria de chumbo - as de lítio são bem mais caras...)
  5. "Cara, que loucura, nenhuma loja de bicicleta conserta o pneu dela! Estou com a bicicleta novinha e  não posso usar há meses porque o pneu está furado, acredita?" (Modelo com aro 22).
  6. "Cara me arrependi muito, a estrutura da bicicleta parece  não aguentar com o peso e está toda rangendo e cheia de folgas. Tento ajustar e sempre volta. Sem contar que a bateria nunca dura o tempo que preciso, não dura nem de perto os 30/35Km que me disseram". Esta era uma PEDELEC, ou seja, o consumo de bateria é bem menor...
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Até o próximo...

4 comentários:

  1. Cara, deve ter muita coisa desagradável no Rio e/ou em outros lugares envolvendo esses ciclomotores. Também não os vejo com bons olhos, muito pelo contrário.

    Mas fico realmente surpreso com a percepção de ciclistas quanto às bicicletas elétricas (considerando o conceito adotado pelo CONTRAN).

    Moro em Belo Horizonte, cidade notória por seus morros. Meu percurso envolvia muita subida, então tinha uma única escolha: virar um atleta da bike. Sou e sempre fui esportista, mas nunca do ciclismo (sou leigo nesse assunto, é bom frisar. Sei apenas aquilo que venho pesquisando). Quem sabe mais pra frente meu interesse cresça mais e eu comece a mesclar uma bike normal nos meus deslocamentos - mas atualmente não é do meu interesse.

    Meu interesse é mobilidade urbana eficiente e sustentável. Portanto, quando vi uma moça da casa dos 30 anos subindo bem um morro relevante do meu percurso, foi como uma epifania. Nem sequer tinha cogitado as e-bikes antes porque já as tinha descartado a priori, pensando que não aguentariam alguns morros de BH.

    Vendi minha mais que excelente bicicleta híbrida, já adaptada para o deslocamento urbano (bagageiro, para-lamas etc.).

    E encontrei a bike elétrica da marca Vela, que é nacional e lançada no final de 2015. Foi amor à primeira vista: sua simplicidade (é single speed), seu estilo retrô, sua posição mais ereta, sua proposta conceitual etc. Foi a solução da minha questão.

    E hoje estou muito feliz com ela. Toda a manutenção dela é feita tranquilamente em oficinas de bike, até porque a fabricante apostou claramente na simplicidade, pensando na mobilidade urbana nas cidades brasileiras, o que inclui pessoas leigas.

    Hoje, graças à Vela, acredito que qualquer um possa deixar seu carro de lado e usufruir desse meio de transporte, deixando de lado paradigmas infundados que só uma pessoa que nunca se deslocou de bike mantém.

    p.s.: é minha opinião, apenas a minha percepção! Sujeito-me aos seus conselhos e experiência hehe. Trago apenas argumentos e aceito de bom grado contra-argumentos. Quando comecei a pesquisar sobre bikes na cidade você foi uma referência pra mim ;)

    p.s.2: é bom frisar que uma bicicleta normal é MELHOR do que uma bicicleta elétrica em retas e descidas; uma bicicleta elétrica SOMENTE é vantajosa em subidas, salvo os casos de acessibilidade etc. Fica a dica para eventuais leigos que procurem maiores informações sobre o assunto. Se não fossem as inclinações, estaria muito feliz com a minha ex-bike híbrida...

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    Respostas
    1. Olá Desconhecido!

      Eu luto diária e constantemente contra meus preconceitos, e espero que as opiniões aqui expressas sobre as bicicletas elétricas estejam pouco carregadas deles.

      Eu não conhecia esta marca e agradeço por compartilhar. Dei uma olhada no site, há pouca informação técnica sobre a bicicleta, mas me parece uma PEDELEC e a proposta de customizar a bicicleta de acordo com o tamanho da pessoa já é uma boa, pois oferecem mais de um tamanho de quadro.
      Outra coisa interessante é que - corroborando com o que citei aqui - eles usam componentes comuns a outras bicicletas, por isso a manutenção é mais fácil.
      O ponto é que ela me parece de fato uma bicicleta elétrica, diferente das marcas que citei, que não são bicicletas, mas ciclomotores disfarçados.

      Há muita desonestidade no mercado e em nosso mundo capitalista, mas não há o que reclamar, faz parte do sistema e nós o aceitamos assim.

      Enfim, obrigado por compartilhar aqui sua experiência e obrigado pelo seu relato.

      Como já disse Nelson Rodrigues, "toda unanimidade é burra".

      Obrigado de verdade!

      Um grande abraço!

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  2. excelente blogue!
    muito bons artigos!
    gostaria de dar duas sugestoes para os problemas de pneus furados de tamanhoa fora do padrao(18 e 22).
    os pneus aro 18 (350 erto) comportam camaras de ar aro 16(305 erto) tranquilamente.
    A mesma coisa acontece nos pneus 22, que comportam camaras de aro aro 20 tranquilamente.
    um abraco e continue o excelente trabalho!

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