quarta-feira, 27 de julho de 2011

Entrevista para o programa "Até que faz sentido"

Este post segue em tom de divulgação:
Na semana passada fomos convidados para participar do programa "Até que faz sentido", da rede MultiShow, que vai ao ar toda quarta às 22 horas.
Este é um programa temático apresentado pelo Felipe Neto. Começou na Web com o nome "Não faz sentido" e hoje é apresentado no MultiShow.
O tema da edição que participamos é "Transporte público", e a bicicleta foi apresentada como alternativa dentro deste contexto.
Eu (com minha dobrável) e Diogo Leal (com sua MTB) fomos entrevistados, representando o projeto Bike Anjo aqui no Rio de Janeiro.

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Um pequeno comentário sobre a bicicleta como alternativa: assim como disse o JP (Bike Anjo de Sampa) "bicicleta é um meio de transporte, ônibus outro, carro outro. Não é alternativa a estes. Até porque muitas vezes pode ser complementar!"
Enfim, a bicicleta é mais um MODAL URBANO, esperamos que possa ser encarada como uma opção de transporte, que tem vantagens e desvantagens, mas que traz consigo um apoio à sustentabilidade que poucos conseguem ter.
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A equipe foi muito cordial e a entrevista seguiu em um tom bem descontraído, num lugar extremamente agradável no Rio: atrás do MAM, próximo à Marina da Glória.
Felipe foi gentil e adorou a dobrável - que acabou tendo um grande destaque na entrevista: pedalou, intrigou-se com suas características e fez vários "takes" tendo-a como destaque.
Será que ganhamos mais um adepto às bikes?

O programa deve ir ao ar no dia 17/08/2011, mas segundo a produção "pode ser adiantado para o dia 10/08/2011 ou adiado para 24/08/2011".
Bem, eu vou ficar ligado, se quiser acompanhe também.

É possível que se possa ver o programa na Web posteriormente, "On demand", mas ainda sem certeza. De qualquer forma vou mantendo todos informados

Um outro ponto bom da entrevista é que ela acabou motivando um encontro dos bike anjos aqui no Rio de Janeiro. Conseguimos bater um papo bem legal, deu para ver que o projeto no Rio está bem servido: pessoas sérias, responsáveis, inteligentes e atinadas com o mundo da bike e da sustentabilidade. A maioria do grupo faz parte também da Bicicletada.
Gente foi um prazer conhecê-los!

Até o próximo...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Por falar em CICLOROTA, veja a de São Paulo, que está entrando em operações hoje!

Veja reportagem do Globo News, destaque para os comentários:

- "Os carros e as motos terão de aprender a viver em paz com os ciclistas"
- "O objetivo é que haja um compartilhamento entre os motoristas e os ciclistas numa divisão dos espaços da via pública"
- "Os motoristas terão de se acostumar e tomar cuidado com este meio de transporte (a bicicleta) e terá que respeitar a velocidade de 30Km/h"


Até o próximo...

Utilidade: NITTRANS inicia implantação de CICLOROTAS em Niterói

Amigos, este post nasce em tom de utilidade pública, pois não vou fazer nenhum julgamento de valor ou emitir nenhuma opinião direta sobre a NITTRANS ou seu trabalho como um todo, estou apenas divulgando mesmo, pois acho que a iniciativa por si só é válida e depende de nós contribuir. Além do mais abriram o canal para isso.

Recebi a informação através de uma lista de discussão sobre cicloturismo, foi enviada por César de Paula (do Blog César Bicicloturista, ele publicou um post lá sobre o mesmo tema).

Abaixo reproduzo a informação exatamente como recebi:

"Bom dia.

A NITTRANS está implantando CICLOROTAS na cidade. Este trabalho está sendo realizado diante da análise e observação de usos já existentes. Propagaremos o trabalho para outros bairros.

Quero propor aqui que todos os que participaram da pesquisa e que apóiam o uso da bicicleta como meio de transporte ou simpatizantes da idéia, que utilizem as vias que já foram implantadas, mesmo que esporadicamente; em dias de semana ou mesmo nos fins de semana, como uma forma de ocupação do território conquistado.

São elas: Rua São Lourenço (já implantada), Rua Barão de Amazonas (já implantada), Rua São João (em andamento), Rua Visconde de Sepetiba (em andamento), Rua Visconde de Itaboraí (já implantada) e Rua Marechal Deodoro (em andamento).

Estamos implantando paraciclos (estacionamentos de bicicletas) em pontos estratégicos na cidade. Se você tem conhecimento de algum local onde há concentração de bicicletas estacionadas, nos informe, para que possamos avaliar os locais e colocar em nossa programação de implantações.

Favor retornar o email para:
dptt@nittrans.niteroi.rj.gov.br

Glauston Pinheiro
Assessor Técnico 
NITTRANS"

Enfim, caso tenham sugestões, enviem! É um ótimo exemplo de como nós - cidadãos comuns - podemos agir e contribuir para a coletividade de alguma forma.

Até o próximo...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Os anjos estão à solta!

O projeto Bike Anjo aqui no Rio está engatinhando.
Mas está bombando, como se os anjos estivessem à solta.

Nós, Bike Anjos do Rio, já tentamos nos reunir mas ainda não conseguimos; só nos conhecemos mesmo por pequenos contatos através de e-mail.

O JP, Bike Anjo de Sampa, mantém todos os Bike Anjos aqui do Rio em contato: envia e-mails informando a entrada de algum novo voluntário, ajuda, coordena, orienta e nesta semana fez contato falando sobre o interesse de uma repórter do Globo Zona Sul (um caderno do Globo que circula na Zona Sul do Rio) em fazer uma matéria sobre os Bike Anjos do Rio.

Por questões de disponibilidade, inicialmente apenas eu e Rafael (um outro Bike Anjo que só conheço por e-mail) nos oferecemos para ajudar na matéria, que ainda está para ser confirmada.
Eu e Rafael trocamos alguns e-mails e ficamos de nos falar caso o encontro com a repórter fosse confirmado.
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Durante o dia, Viviane me falou que - em seu deslocamento para o trabalho - avistara um ciclista com um "afastador" ao lado da bicicleta que era bem legal e parecia dar segurança a ele.
Me perguntou se eu conhecia. Chama-se Safety Wing.
Veja um:


Na verdade este era um equipamento de segurança que eu já havia procurado sem encontrar. A conversa acabou me lembrando de equipamentos de segurança que eu estava em busca e não havia adquirido ainda, como um colete reflexivo para andar à noite, semelhante a esse:


Não é para ser bonito, é para ser seguro! :-)

Acabei ficando com o tema na cabeça, reavivando a necessidade.
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Ontem saí do trabalho em Niterói e fui para o MBA, no centro do Rio de Janeiro. Fui de bike, com minha dobrável pelas Barcas. As aulas são na Assembléia, quase esquina com Rio Branco.

Ao terminar a aula, desci, armei a bike, me equipei e entrei na Rio Branco, em direção à Zona Sul.
Assim que entrei na Rio Branco, por volta de 22:00h, avistei vagamente - uns 50 metros à frente - um ciclista todo equipado, com com um colete reflexivo exatamente como este da foto acima.
Estranho, mas alguma coisa me fazia querer emparelhar com ele; e o fiz. Acabamos parando no semáforo, onde o abordei, perguntando onde ele tinha comprado o colete.

Ele me respondeu:
- Pôxa, não fui eu que comprei, é do SOS Mata Atlântica, eu trabalho para eles como Bike Repórter. Todo o equipamento é deles, inclusive a bike.
Como estávamos indo para a mesma direção, acabamos pedalando juntos e trocamos algumas ideias.
Durante a conversa nos apresentamos, seu nome era Rafael. Ele ia para o Humaitá, estava vindo de Madureira (!)

Vejam: eu tinha postado um artigo no dia anterior sobre deslocamento de bike, usando-a como transporte diário, narrando meu trajeto de Botafogo a Niterói. Algumas pessoas comentaram e mostraram-se inseguras em relação à distância, o que é compreensível, mas... imediatamente vi que isso poderia ser um incentivo maior a estas pessoas.

Falei ao Rafael sobre o Blog, sobre o artigo e se ele se importava de eu narrar isso aqui. Ele disse que eu podia ficar a vontade. Mas não é só por isso que este artigo está aqui!

Na sequência, perguntei ao Rafael se ele já tinha ouvido falar dos Bike Anjos.
Ele me respondeu:
- Sim, conheço, eu me inscrevi há algum tempo e eu sou um voluntário aqui do Rio, parece inclusive que haverá uma entrevista para o Globo, mas não está confirmada.

!

Nossa!
Era o Rafael com quem eu havia trocado e-mails mais cedo, sobre a entrevista dos Bike Anjos!
Uau!
Foi meio surpreendente, achamos engraçado, continuamos a conversa, já em tom de quem se conhece há algum tempo (risos).
Depois de um tempo nos despedimos e deixei a promessa de que falaria sobre este encontro aqui no Blog.

Bem, ele não sabia da sequência de coincidências que fizeram o encontro ser mais legal ainda. Agora ela vai saber!

Rafael, foi um prazer conhecê-lo, me deu a boa sensação de que os Bike Anjos estão à solta!

Até o próximo...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Relato de uma experiência: pedalando diariamente para o trabalho, de Botafogo (Rio de Janeiro) para Niterói.

Este artigo foi escrito por sugestão de alguns amigos que gostavam da experiência. O mais enfático foi o Francisco, portanto o artigo é escrito em homenagem a ele.
Eu topei escrevê-lo porque creio que pode ser útil para quem tem vontade de trazer a bicicleta para o dia a dia, mas que por qualquer motivo, não pôs em prática... ainda.
É grande, espero que valha a leitura...

Antes de tudo, como era antes
Gostar de pedalar já era uma característica, eu morava em Niterói e me mudei para o Rio de Janeiro, onde tudo pedia um pedal: a cidade é linda e possui uma relativa estrutura para isso (na zona sul). No início minha esposa trabalhava nos fins de semana e eu aproveitava para pedalar durante quase todo tempo; era passeio, para conhecer tudo, pedalava por cada cantinho da cidade, conhecendo ruas e caminhos nunca imagináveis por quem vai a pé ou de carro.
Depois de um tempo já não pude mais pedalar nos fins de semana e diminuí muito o ritmo, mas a angústia crescia. Eu fazia tudo que podia para encaixar um pedal aqui, outro ali; tudo era motivo para ir de bike.
Mas não era suficiente.
Fiquei matutando uma forma de pedalar mais.

A decisão
2006.
Eu morava em Botafogo, trabalhava em Niterói e sabia que a distância não era problema, pois nos passeios dos fins de semana eu já havia ido até o Aeroporto Santos Dumont, que é bem próximo às Barcas (para quem não conhece a região, é preciso pegar uma Barca para atravessar a Baía de Guanabara, pois Niterói fica do outro lado da Baía).

E tempo: Niterói é ligada ao Rio de Janeiro pela ponte Ponte Rio-Niterói, não é permitido o trajeto de bicicletas lá, para ir a Niterói de bike tem que ser de Barca!

A ideia surgiu do nada, pela simples vontade de trazer a bike para meu dia a dia. Conversei com minha esposa - que concordou que poderia ser bom. O tempo estava tão escasso que não conseguia praticar atividade física, pedalar nem pensar!
Era então uma forma de unir - de verdade - o útil ao agradável, pois eu usaria um tempo morto (o trajeto para o trabalho, que era em média 1 hora e meia por trecho), para uma coisa que seria agradável e proveitosa.
Por incrível que pareça, o mais difícil da decisão era quebrar o paradigma: só havia referência de ir ao trabalho de ônibus ou de carro, pensar em ir de bike parecia coisa de doido (diga a verdade, você bem que deve achar isso também, não é?). Eu não conhecia ninguém que fazia isso. Inicialmente só pensava nas dificuldades...
Mas devo confessar que não consultei muita gente, apenas pensei em fazer, pesquisei e analisei a viabilidade; vendo que era plausível, apenas pensei em como poderia por a ideia em prática.
Sem muita estrutura, me organizei para fazer o teste numa segunda feira.
No domingo organizei tudo: preparei a bike (era uma caloi supra com pneus slick, bem adaptada para andar na cidade, com bagageiros para auxílio da carga; ela já se foi... roubada), separei a roupa, equipamentos de segurança e higiene, e me preparei para o dia seguinte.

O primeiro dia
Verão.
Acordei ansioso, só pensava no pedal, tomei banho, revisei tudo que já estava pronto no dia anterior e me arrumei.

Saí como se estivesse partindo para uma grande aventura, a adrenalina era grande.
Engraçado, eu saí para fazer a mesma coisa que fazia sempre: pedalar, mas a sensação de ir pedalar para o trabalho parecia diferente!
Parti sem uma rota definida, tinha apenas o roteiro base na cabeça. O trajeto até as Barcas correu sem susto ou sufoco, apenas cheguei suado, mas depois vi que o maior motivo era mesmo a ansiedade e adrenalina, não o percurso em si.
Nas barcas, muitas chatices: ter que pagar pela bicicleta, além da passagem; sem contar as dificuldades colocadas pela empresa para a travessia de bicicleta. É incrível, eles fazem de tudo que podem para dificultar: não podemos entrar com a bicicleta na área de passageiros, temos que ir pelo portão lateral, deixar a bike lá, voltar à área das roletas, passar pela roleta, esperar abrir os portões e só assim poder pegar novamente a bike, ufa!
Dá para ver que até os funcionários são treinados para tratar mal o ciclista. Terrível!
Essa foi a pior parte do trajeto, perde-se pelo menos 10 minutos só nesta confusão, raras eram as vezes que não perdia uma Barca só por causa desta dificuldade.
Olha tem MUITA coisa a se falar sobre este problema das bicicletas nas Barcas, mas vai ser assunto para um outro artigo.

Dentro da Barca muitos olhavam curiosos, e a travessia seguia agradável.

Ao chegar em Niterói, segui novamente por um trajeto não definido, cheguei ao trabalho com uma ótima sensação de desafio superado.
Esta sensação foi a melhor parte de tudo: quebrar um paradigma, superar um desafio e vencê-lo.
Passei o dia orgulhoso, contando a todos o que tinha feito, me sentia um herói!
...
A volta foi tranquila, sem a preocupação com o tempo e vestimentas. Fechei o dia com a sensação de ter superado um grande desafio.
Impagável!

O dia a dia
Com o tempo, tudo foi se tornando natural e pedalar para o trabalho passou a ser o padrão. Depois de um tempo precisei parar por motivos externos, mas voltei logo que pude.
Logo, chegar suado já não era um problema, pois a frequência e o consequente aumento de preparo físico, tornaram o pedal diário nada cansativo.
A experiência também vai aumentando e vamos correndo menos riscos, hoje eu já tenho algumas rotas padrão, para ida e para volta, de acordo com o horário e com o tempo.
Aprendi - por exemplo - que ganhar 5 ou 10 minutos em detrimento de segurança não compensa, vale sempre mais a pena fazer trajetos mais seguros, mesmo que isso represente andar um pouco mais. Por outro lado, pedalar mais significa mais prazer...
Outra coisa boa é a quantidade de pessoas legais que conhecemos pelo caminho: é muito comum ser abordado por pessoas admiradas com o fato de estarmos "fazendo uma coisa tão diferente". Em quase todos os dias surgia algum papo interessante com alguém na Barca, mostrando interesse em fazer a mesma coisa, ou admirando "a coragem".

Hoje o padrão é ir de bicicleta, a qualquer lugar! Na verdade, hoje só não vou de bike quando as circunstâncias não permitem (normalmente o fato de não estar sozinho). Para que isso fosse mesmo possível eu até adquiri uma bicicleta dobrável, com ela posso mesmo ir a qualquer lugar.

O que fica disso é a mudança de paradigma: antes parecia estranho ir de bicicleta ao trabalho, hoje me parece estranho não ir de bicicleta a qualquer lugar como primeira opção, porque há de fato poucos empecilhos para não ir.
A experiência foi enriquecedora para mostrar que no dia a dia a bicicleta é o melhor meio de transporte urbano. Muitas cidades do mundo já perceberam isso e trouxeram a bike para sua rotina, algumas ainda estão se organizando para isso e outras ainda hão de recebê-las. Eu sou uma das pessoas que está contribuindo para que isso se torne realidade. Se quiser pode se juntar a nós.

Os trajetos
Ida
Fiz e experimentei vários trajetos, utilizando a ciclovia, a faixa compartilhada, andando no trânsito etc. Com o tempo montei várias rotas.
Confesso que eu fazia alguns pequenos trechos em contra-mão, no início. Isso acontecia porque, além de pouca informação eu acreditava que não fazia mal a ninguém. Mas com o tempo aprendi que não devia fazer isso porque era ruim para todos (depois vou fazer um artigo para discutir isso) e passei a mudar o trajeto; hoje todas as rotas são feitas sem NENHUMA contra-mão ou passagem por calçada pedalando.
As rotas possuem poucas variações entre si, o que passei a evitar sempre são trechos em vias expressas, onde passam ônibus, estes devem ser evitados.

Volta
O mais crítico na volta era a segurança, dependendo da hora do retorno, porque haviam trechos muito ermos, e passar de bike à noite não era muto seguro.
Eu fui experimentando várias opções, observando o movimento de cada e região e fui montando rotas seguras.
A vantagem do trajeto de volta é a não preocupação com o fato de precisar chegar suado ou com roupas específicas, portanto, no meu caso eu sempre voltava de bermudas e roupas mais confortáveis. A volta acabava sempre sendo mais um passeio agradável do que um trajeto rotineiro de volta do trabalho. Muito bom!

As lições
A maior de todas, sem dúvida foi a quebra do paradigma, que tanto repeti aqui. O que eu observo na maioria das pessoas que manifestam vontade de fazer o mesmo é o conjunto de dificuldades impostas para começar. E o que posso dizer em relação a isso é: basta começar, acorde um dia e diga: "hoje eu vou fazer isso"; é bem mais simples do que se pode imaginar. E olhe que isso aqui não é autoajuda!

Outra coisa relevante é a percepção da bicicleta como veículo no trânsito. Muitas pessoas dizem sentir medo, mas devo dizer que raríssimas foram as vezes em que me senti ameaçado, e posso dizer que em todas estas poucas vezes, o agente sempre era um motorista de ônibus. Com o tempo aprendi a ter uma boa conduta no trânsito, me garantindo segurança.

Hoje é fácil encontrar dicas na Web sobre pedalar no trânsito com segurança. Aqui darei algumas, mas há ótimos artigos nos sites do Willian Cruz (Vá de bike), dos Bike Anjos e da Escola de Bicicleta. Não deixem de ver.

Para você que pensa em fazer o mesmo, algumas dicas:
Bem, as dicas são baseadas em meu aprendizado e nos estudos sobre o tema. Mas posto também dúvidas que muitas pessoas tem quando pensam em fazer o mesmo, por isso organizei-as em forma de perguntas, que eram as que eu ouvia no dia a dia. (Em breve terei aqui no blog uma seção com dicas, elas estarão lá, junto com algumas outras).

- Nossa você tem coragem de passar pela ponte de bicicleta?
Essa eu já respondi no início do artigo: não é permitido o trajeto de bicicletas na ponte Rio-Niterói, o trajeto tem que ser feito de Barcas.
Vou repetir: o uso de bicicleta nas barcas é um tema tão sério que vai virar um artigo em breve. Aguardem!

- Você deve ser maluco, é muito perigoso!
Vejam, eu não sou maluco, nem suicida. Muito menos um idealista que vive fora da realidade. Sou uma pessoa comum, séria, que gosta de andar de bicicleta e só tomo decisão quando bem fundamentada, sou até chato com isso. Só que - por outro lado - não sou nada acomodado.
Tenho família, desejos, amores, qualidades e defeitos como qualquer um.
Eu nunca passei sufoco no trajeto, faço minha segurança passiva e ativamente. Posso dizer que sempre me senti respeitado (com exceção de alguns motoristas de ônibus, mas isto é tópico para outro artigo), mas sei que isso só ocorre porque minha atitude também é de respeito a todos.
Tem uns ótimos artigos sobre segurança no trânsito nos sites do Willian Cruz (Vá de bike), dos Bike Anjos e da Escola de Bicicleta. Não deixem de ver!

- Mas você não chega suado? No seu trabalho tem vestiário?
Comecei a fazer o trajeto no verão e no início eu chegava bem suado; não tinha chuveiro ou vestiário onde eu trabalhava. Com o tempo fui me acostumando e já não chegava tão suado. Mas o que eu fazia: ia com uma camisa leve e fresca, preferencialmente de tecido Dry-Fit. Ao chegar, quando já estava perto, diminuía o ritmo, para ir secando o suor, ao chegar trocava a camisa, me secava com a toalha e completava a secagem com desodorante (fundamental, risos). Quando chegava no escritório, me dirigia ao banheiro e finalizava a higiene, lavando rosto e mãos.
Parece complicado, mas tudo fluia bem.

- Mas como você faz para levar sua camisa social sem amarrotar?
Veja, eu aprendi a fazer uma dobra que deixa a camisa muito pouco amarrotada, e eu a colocava de uma forma na mochila que não havia nada pressionando-a, assim, ao chegar, eu a vestia e em poucos minutos já estava melhor do que se estivesse amassada por estar sentado num banco de ônibus ou do carro.

- Nossa, mas é longe, demora muito!
Essa é a melhor parte: por incrível que pareça, eu levava menos tempo que de ônibus e quase o mesmo que de carro. No meu caso, o que mais demorava era estrutura das Barcas, eu chegava a perder 30 minutos em função de todas as suas dificuldades.

- Ok, mas então que você acha que é necessário mesmo usar num trajeto assim?
Roupas leves e confortáveis para o trajeto.
Óculos é fundamental, porque protege os olhos de algum objeto indesejável numa hora crítica.
Deve-se usar também os equipamentos obrigatórios na bicicleta (buzina, espelho retrovisor no lado esquerdo e luzes).
As luzes são muito importantes! Uma das coisas mais importantes em relação à nossa segurança no trânsito é ser visto!
Use luzes piscantes (para saberem que você está numa bike) na dianteira (branca) e na traseira (vermelha).

Esteja pronto para enfrentar uma chuva, se for na ida é um pouco pior porque você terá que organizar na chegada ao trabalho, mas se for na volta não há nada demais. O que é importante em relação à chuva é a proteção de coisas que não podem se molhar (documentos e eletrônicos), por isso, sempre tenha uma forma de impermeabilizar  estes itens.
No mais, veja os artigos indicados aqui e na seção DICAS com informações sobre o pedal no trânsito e no dia a dia.

...

Foi longo, né? Mas espero que tenha valido a pena!

Bem, tudo isso que eu escrevi é para mostrar que pedalar no dia a dia - sobre tudo para o trabalho - é bem mais fácil do que se imagina e mais legal do que parece: é bom para a saúde, é um aproveitamento racional do tempo, é bem agradável, e ainda por cima contribuímos para melhorar nosso mundo.

Se você tem vontade mas está ainda na dúvida, ainda pode pedir a ajuda de um Bike Anjo, eu sou um e posso ajudar se quiser.

Agora, se o artigo te animou e você já decidiu, seja bem vindo ao time! Só não esqueça de pegar todas as dicas necessárias antes de começar!

Até o próximo...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Enquanto isso numa "pequena" cidade da China...

Esta foto é de 2006, numa cidade chamada Chengdu, na China, num dia comum, com pessoas comuns.


Posto aqui em resposta a esta conversa de que "só na Europa é que a bicicleta é difundida".
Vamos ampliar nossos horizontes!

Voluntariado e Senso de Coletividade (Parte 1)

No último fim de semana fui levar meu filho, para passear e brincar - como de praxe. Desta vez, como visitava um amigo, levei-o a um parque próximo a sua casa, público, novo, numa praça em Niterói que ainda estava em "fase de finalização".
Muitas crianças brincavam, pouquíssimas mães e nenhum pai; eu era o único. Por ser o único pai ali, naturalmente causei muito estranhamento às crianças presentes: da forma como brincava com meu filho, as outras crianças paravam suas brincadeiras para nos observar, envoltos e felizes por ver meu filho tão feliz brincando comigo. Alguns deles logo pararam suas brincadeiras para participar das nossas. Foi uma ótima festa para todos. Poucos momentos de felicidade que valem o dia!
Relato isso porque uma coisa em especial me chamou muito a atenção: como o parque ainda estava em "fase de finalização", muitas (grandes) pedras soltas na área de recreação ameaçavam as crianças de muitas formas: umas pisavam e tropeçavam, outras as pegavam para jogar longe, ameaçando ferir outras. Alguns poucos adultos presentes afastavam - inutilmente estas pedras. De fato ainda parecia um fim de obra.
Ao fim, tudo ficava como antes: as crianças iam ali, brincavam e iam embora, no dia seguinte algumas provavelmente voltariam, e provavelmente a cena se repetirá: pedras no caminho ameaçando a segurança das crianças. E ninguém provavelmente fará nada.
Fiquei intrigado com aquilo, ao fim do dia comentei com um amigo dizendo:
- Incrível, se eu morasse aqui - tendo filho - a primeira coisa que faria seria limpar aquela área de recreação das crianças, parece que todos ficam esperando a atuação do estado para resolver uma coisa tão básica, que envolve diretamente a segurança de nossas crianças. Não agem e - provavelmente - reclamam que o governo não faz seu trabalho corretamente. Uma ação básica, cidadã, que beneficiaria todos.
O amigo comentou:
- Robson, é difícil encontrar esta consciência nas pessoas.
...
Abaixo cito um trecho de um relato de um brasileiro em seus primeiros dias vivendo na Europa (veja o relato completo em Brasileiro na Volvo-Suécia):

A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:
- Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final.
Ele me respondeu simples assim:
- É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?
...
É.
Estes pensamentos são - vez por outra - questionados por alguns, dizendo que "não estamos na Europa", "isso é uma utopia", "as pessoas não pensam assim", "...". E é claro que também reflito sobre tudo isso.
O que tenho a dizer é que fazer trabalho voluntário ou agir pensando na coletividade não é coisa de extra-terrestre ou de "pessoas-especiais-que-estão-pensando-sempre-no-bem-coletivo".
Isso é coisa de gente comum, como eu, como você.
O ser humando é capaz de usar um carro para passar por cima de dezenas de pessoas pedalando, pegando-os pelas costas e dizer que se sentia ameaçado por estas pessoas.
Mas o ser humano também é capaz de ajudar o outro!
Enfim, é o ser humano.
Ajudar o outro, ou simplesmente agir tendo a consciência de que qualquer ação nossa impacta diretamente na vida de outros é bem simples; qualquer pessoa é capaz de fazer.
Andar de bicicleta e trazê-la para o dia a dia é muito mais que resolver um prazer ou necessidade pessoal: é também contribuir para o conjunto das pessoas, já que estamos de fato melhorando a cidade, menos poluição, menos carros, mais agilidade, mais saúde.
Mas isso também só pode ser verdadeiro se estamos mesmo pedalando e respeitando o outro.

Este assunto continua...